Cara e coroa: Editora Livros Cotovia encerra "site" e loja "para sempre" no final de 2020 / Editora Mol e Petz vendem 190 mil livros em plena pandemia



Observador (@observadorpt), Agência Lusa (@Lusa_noticias)


«A editora Livros Cotovia foi fundada em 1988, por André Fernandes Jorge (1945-2016), com seu irmão, o poeta João Miguel Fernandes Jorge, que abandonou o projeto editorial pouco tempo depois.

»No final de agosto, a Livros Cotovia tinha anunciado que 2020 seria o último ano em que marcaria presença na Feira do Livro de Lisboa, visto que iria fechar “até ao final do ano”.» (Observador)


«Caros Leitores,

»O processo de encerramento da editora é, além de penoso, moroso. Por essa razão, os nossos livros ainda continuam disponíveis nos próximos dias, através do email: livroscotoviageral@gmail.com.

»Votos de um ano menos tempestuoso.» (Livros Cotovia, 5 janeiro 2021, na rede FB)



«A editora Livros Cotovia (@livroscotovia), que reuniu, no seu catálogo, autores como Agostinho da Silva e Frederico Lourenço, assim como clássicos latinos e gregos, encerra o “site” e a loja no final deste mês “para sempre”, anunciou esta segunda-feira.

»Numa mensagem partilhada esta segunda-feira à tarde, na página oficial da editora na rede social Facebook, lê-se que “este é o último mês da Cotovia”. “Aproveite para nos visitar em www.livroscotovia.pt. No final de novembro fechamos o ‘site’ e a loja — para sempre. Se procura um livro que lhe disseram estar esgotado, por favor escreva-nos (livroscotoviageral@gmail.com), pois vamos disponibilizar a reserva da editora”, refere a editora.

»A Lusa tentou contactar os responsáveis pela editora, mas, até ao momento, tal não foi possível.

»No final de agosto, a Livros Cotovia tinha anunciado que 2020 seria o último ano em que marcaria presença na Feira do Livro de Lisboa, visto que iria fechar “até ao final do ano”.

»A editora Livros Cotovia foi fundada em 1988, por André Fernandes Jorge (1945-2016), com seu irmão, o poeta João Miguel Fernandes Jorge, que abandonou o projeto editorial pouco tempo depois. Ao longo de mais de 30 anos, a editora ultrapassou os 700 títulos, de 350 autores, “todos eles relevantes”, para “um público leitor que sabe o que quer”, como escreve no seu site, e todos eles detentores de uma identidade própria, marcada, na sua maioria, pela imagem gráfica original, desenhada pelo cineasta João Botelho.

»Os portugueses A.M. Pires Cabral, Teresa Veiga, Daniel Jonas, Luís Quintais, Paulo José Miranda, Jacinto Lucas Pires, Eduarda Dionísio, Luísa Costa Gomes constam do catálogo da Cotovia, assim como o angolano Ruy Duarte de Carvalho e os brasileiros André Sant’Anna, Bernardo Carvalho, Carlito Azevedo e Marcelo Mirisola, entre muitos outros autores de língua portuguesa dos dois lados do Atlântico. Martin Amis, Virginia Wolf, Roberto Calasso, Doris Lessing e Natalia Ginzburg estão entre os autores traduzidos ao longo dos anos pela Cotovia, assim como John Milton, Robert Louis Stevenson e Arthur Schnitzler.

»“Responsável pela edição, pela primeira vez em língua portuguesa, de vários autores de renome internacional, e também pela descoberta e promoção de alguns autores rapidamente reconhecidos como os ‘novos’ da literatura portuguesa, a Cotovia é ainda uma das raras editoras que em Portugal publica regularmente textos dramáticos (portugueses e em tradução)”, descreve, na apresentação que a Cotovia mantém no seu ‘site’.

»Nas coleções de Ensaio, Ficção, Poesia encontram-se autores como Paul Celan, Iosif Brodskii, Luis Cernuda, Doris Lessing, Eric Rohmer, Reiner Werner Fassbinder, Thomas Bernhard, Christa Wolf, José Ortega y Gasset, Simone Weill, Victor Aguiar e Silva, João Barrento e Jorge de Sena. Na coleção de clássicos gregos e latinos, a Cotovia publicou Homero, Virgílio, Ovídio, Apuleio, Petrónio, Horácio, entre muitos outros, fazendo com que os seus títulos chegassem ao público em geral, acompanhando-os ainda de estudos e ensaios.

»Após a morte do fundador, em 2016, a direção editorial dos Livros Cotovia ficou entregue a Fernanda Mira Barros, que fazia parte da equipa há mais de 20 anos. Licenciada em Línguas e Literaturas Inglesa e Alemã, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Mira Barros fora responsável pela criação do “blog” da Cotovia, em 2011.

»No passado mês de fevereiro, a Cotovia anunciou o encerramento da sua loja, na rua Nova da Trindade, em Lisboa, situada no edifício projetado por Raul Lino, que acolhera a histórica Livraria Opinião, na década de 1970. O encerramento da loja foi então marcado para 13 de março, poucos dias antes da declaração do estado de emergência, por causa da pandemia. Na altura, a editora transferiu a venda de livros para o seu “site”.

»Quando do anúncio do fecho, no final de agosto, o lamento pela perda da editora multiplicou-se, da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, que o comunicou no seu site, a perto de dois milhares de reações ao anúncio, na página da Cotovia no Facebook, cruzando-se anónimos com nomes conhecidos, como o poeta João Luís Barreto Guimarães, o historiador Vitor Serrão, a atriz Joana Brandão, a artista Adriana Molder e a cineasta Cláudia Varejão.

»O escritor e crítico brasileiro Eduardo Sterzi, professor da Universidade Estadual de Campinas, escreveu, na sua página: “O catálogo da Cotovia a coloca entre as melhores editoras do mundo – pelo menos do meu mundo, que cada vez menos coincide com o mundo geral”. Por isso, Sterzi apostava na sobrevivência da chancela, pelo menos “enquanto houver bibliotecas”.

»Crónicas 1974-2001, de Nuno Brederode dos Santos, e Bucólicas, de Virgílio, estão entre as mais recentes e derradeiras edições dos Livros Cotovia, assim como textos dramáticos de Federico García Lorca, Giovanni Testori e Witold Gombrowicz, incluídos na coleção “Livrinhos do Teatro”, construída em parceria com a companhia Artistas Unidos.

»Ao longo dos meses de confinamento, o setor livreiro foi um dos mais afetados pelas medidas de contenção destinadas a travar a propagação do novo coronavírus, com o encerramento de livrarias por todo o país, e a paralisação do mercado editorial.

»As perdas financeiras chegaram a atingir os 45,9%, ou 1,07 milhões de euros, segundo o painel de vendas Gfk, para a semana 4 e 10 de maio, a primeira após a possibilidade de reabertura, prevista no plano de desconfinamento, iniciado em 1 de maio.»


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«Editora Mol e Petz vendem 190 mil livros em plena pandemia»



Folha de S.Paulo (@folha)


«Dois dos maiores best-sellers no Brasil em 2020 fogem das livrarias: eles estão no caixa de petshops e têm parte da renda revertida para ONGs de proteção animal.»





«Em um momento de crise econômica e um mercado editorial extremamente afetado, a Editora Mol (@TalentosMOL) conseguiu o que parecia impossível: em 2020, a empresa vendeu mais de 200 mil livros.

»Um deles se transformou recentemente no maior best-seller do Brasil no ano, com mais de 91 mil unidades comercializadas em apenas 5 semanas e a tiragem total de 120 mil exemplares esgotada menos de dois meses após seu lançamento, na segunda metade de julho.

»O caminho para alcançar esses números passa longe do tradicional, já que nenhuma das publicações mais vendidas da Mol está nas livrarias. Os campeões de venda estão em outros canais de varejo —mais precisamente na Petz, rede de produtos para animais de estimação.

»O best-seller do ano pode ser encontrado entre sacos de ração e ossinhos para cachorro: ele é o Ache o Bicho 2: Rumo ao Pódio, um livro para crianças e famílias que amam animais de estimação e esportes, com passatempos ilustrados por grandes artistas brasileiros.

»Menos de um mês depois de seu lançamento na Petz, o produto superou 90 mil exemplares vendidos e bateu o favorito das livrarias em 2020, Mais Esperto que o Diabo (Citadel, 2011), que alcançou 76,1 mil unidades comercializadas desde janeiro.

»A força do livro vem, principalmente, da causa que ele abraça: descontados os impostos e custos de produção, os R$ 7,90 pagos pelos clientes que levam um exemplar para casa se transforma em doação a ONGs dedicadas à proteção de animais abandonados.

»“Levamos menos de 30 dias para vender o que os maiores best-sellers do Brasil neste ano venderam em mais de 6 meses”, diz Roberta Faria, diretora-executiva da Editora Mol e integrante da Rede Folha de Empreendedores Socioambientais. Em 2018, Roberta levou o Prêmio Empreendedor Social junto a seu sócio e cofundador da Editora Mol Rodrigo Pipponzi.

»“Nosso negócio sempre cresceu nas crises, então não temos dúvidas que essa é mais uma oportunidade para nós. Estamos aproveitando a onda de solidariedade gerada pela pandemia para oferecer um produto de qualidade, com preço acessível e que ainda apoia a causa animal.”

»A Editora Mol e a Petz estimam uma arrecadação de mais de R$ 390 mil em doações através do Ache o Bicho 2. A doação se faz ainda mais necessária durante a pandemia, já que, desde março, abrigos pararam de receber recursos e começaram a sofrer até com com a falta de alimentos para seus bichos durante a quarentena e a crise econômica.

»Em 2020, a Mol deve alcançar 20 milhões de produtos socioeditoriais vendidos —isto é, com renda revertida—. Desses, mais de 660 mil foram comprados por clientes das lojas Petz.

»A parceria, formada há 3 anos, já ultrapassa R$ 1,3 milhão doados para 48 ONGs de proteção animal.

»“Isso não é um acidente de percurso: é um modelo de negócio que hackeou as operações do mercado livreiro, driblou a crise e colocou o impacto social como prioridade”, conta Roberta. Desde 2008, a Mol cria produtos socioeditoriais de sucesso: são livros, revistas, calendários e jogos impressos lúdicos, sempre vendidos em volumes altíssimos a preços acessíveis no varejo, por onde milhões de brasileiros circulam diariamente.

»Dentro dessa lógica, a empresa já trabalhou com 14 redes varejistas, chegando a milhares de pontos de vendas e doando mais de R$ 35 milhóes para organizações que também atuam em áreas como saúde, educação e sustentabilidade.

»Para dar certo, a Mol abre mão dos modelos tradicionais, que dependem de assinaturas, venda de publicidade e distribuição em livrarias ou bancas de jornal, e garante, assim, um ciclo mais transparente e sustentável, que elimina os intermediários e o desperdício de tiragem, comuns no mercado tradicional.

»“É um modelo que valoriza a comodidade, introduzindo a doação na rotina do consumidor com discurso claro, produtos de qualidade, processos de distribuição eficientes e transparência absoluta no impacto social gerado”, reforça Roberta.»


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